July 2012
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Infinito meu
Agora que a lua sola
Eu amanheço a noite em tua hora
Rogo a deus
Que me dê saber beber
Que me dê saber banhar
Na fonte que ainda agora
Jorra de ti
Pensar
Pastor de mil rebanhos
Dá-me o nada e serei teu
Porém, se tua camisa
Abrir as venezianas
Ah! paisagem humana
Serás das crias de deus
Meu Infinito meu
(de Gero Camilo, na voz de Rubi)
Assim, só sendo assim, posso falar
Das espadas que são nós.
Nós que se enrolam e se vertem
De forma tão infinita que nem a lâmina
(fina e precisa)
Consegue desfazer
A corda atada a nós.
Nem as espadas outras,
Mesmo que pareçam singelas,
Tem o poder de ferir e inferir.
Mesmo que seja fundo o corte
E mesmo que seja fácil,
O tempo todo nós:
Ali, Acima, abaixo.
Superfície e espelho de nós,
Que nada parece mudar e desfazer.
E quando o tempo deixar nós cegos
Vamos à beira do rio
(espelho ruminante da cidade)
Pensar em desatar.
…será tarde.
E no fluxo rio das idéias
Nós vão indo, afeitos, refeitos, rarefeitos…
E lá vão eles juntos. Afoitos se completam…
Eles nós. Cheios de nós.
Reinventam-se a cada dique: açudes.
E rompem Sobre nós, sob nós, sobre nós.
(recitada no filme “Febre do Rato” como de autoria da personagem Zizo)